Hello world!

Vamos ao início! Na falta de algo melhor, vai o texto escrito nos idos da Copa de 2010, após o jogo Brasil e Holanda. Nos dias de hoje, após o chapéu sobre o goleiro do Arsenal, nas oitavas da Champions League, começo a rever minha posição quanto a Messi. O tempo dirá!

DA (des)TÊMPERA DOS GÊNIOS

O Brasil poderia ter vencido a Copa? Ou Inglaterra, ou Argentina? Claro que um dos grandes irá ganhar. Como a Itália ganhou em 82 ou em 2006 ou a Inglaterra em 66. Desalentou-me não foi a derrota, mas o torcer burocrático. Perdemos em 82 e até hoje saudamos aquele time. Quem de nós saúda o time de 74 ou 86 ou 90 ou 2006? O que nos comove é o jogo que nasce do gênio em campo rodeado por um bom time. Aquele que chama o jogo para si. Tivemos o maior de todos por quatro copas e tivemos um Romário em 94. Eles tiveram Maradona, Cruiff e Zidane. Exceção talvez tenha sido o time de 2002, porém com uma grande linha de ataque e um Ronaldo, que, se não foi um gênio, se mostrou genial em sua volta por cima.

O que difere o craque – que foram muitos – do gênio? Por que o Gaúcho foi um craque, provavelmente o mais habilidoso de todos, mas nunca se ombreou aos gênios da bola? Será por que se cansou do esforço de ser o melhor e deu para fazer o que quase todos nós faríamos, ou seja, curtir a vida? Ou será que o cuidado para com os jovens craques não domaria muito cedo a têmpera do gênio? Gaúcho desde novo foi empresariado pelo irmão, já conhecedor da maldade do futebol. Messi, aos catorze anos, foi jogar sob a proteção do Barcelona; será somente mais um grande craque, até o dia em que se enfastiar dos treinos.

Ser craque é apenas cultivar um dom. Já o ser gênio é uma questão que transcende o ludopédio e permeia a história humana. Aristóteles já a abordava em seu ensaio “O homem de gênio e a melancolia” e nosso caríssimo Raskólnikov nos mostrou amargurado que há algo de singular na têmpera do gênio que se furta aos demais. Mais do que uma graça, eu diria que é uma maldição, um quê de arrogância, de desprezo pelos demais, uma tendência a ação agressiva e intuitiva que, subtraídos de um dom especial, levam somente ao constrangimento ou ao desastre. O destempero por si, somado a apenas alguma habilidade, só produz um Dunga ou um Six.

Pelé sempre se considerou especial. Antes da Copa de 58, do alto de seus 17 anos, quando indagado por Armando Nogueira quanto ao melhor centro-avante do mundo de então, respondeu: eu. E o melhor meia-atacante? Também eu. Antes das partidas, Pelé deitava-se no vestiário e parecia dormir e ai daquele que o incomodasse. Se fosse Pelé no lugar de Felipe Melo, alguém esperaria uma atitude diferente? Também desceria o cacete. E faria não só por ele mas também pelos demais. No entanto, descer o cacete sem ser gênio torna-nos apenas imbecis. O gênio somente é gênio em lugar e hora, onde esse destempero pode alavancar seu dom. Maradona foi um gênio da bola? Claro, e sem a bola é não mais do que patético, o protótipo do idiota latino-americano. Mesmo o gênio torna-se muitas vezes vítima do destempero que o molda. Querem exemplo mais desastroso que a cabeçada de Zidane? Que também foi gênio. Romário foi gênio? Sim, e domado apenas por Cruiff no Barcelona e – acreditem! – por Dunga na seleção. Kaká poderia ter sido ou será algum dia gênio? Jamais! Um carola que almeja ser bispo e doa 10% do que ganha a um casal de picaretas não é capaz de viver a agressividade dos gênios.

Falcão e Zico foram craques, mas não gênios da bola. Então, quem foi o gênio de 82? Ora, Telê!

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